Maceió busca
alternativas para fugir do caos no trânsito
Cidade tenta encontrar maneiras de evitar colapso urbano, mas esbarra
nos problemas deixados pela falta de planejamento e crescimento desordenado
Cristiano Oliveira
Não é preciso
andar muito tempo em qualquer tipo de transporte na capital alagoana para perceber
que o trânsito é um de seus principais problemas. Segundo o Censo do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, de 2010, a população do município
de Maceió beirava 1 milhão de habitantes. Também segundo dados do IBGE, a
quantidade de veículos de transporte em Maceió, em 2012, ultrapassava os 248
mil – isso inclui automóveis, ônibus, motocicletas e outros tipos de veículos. Além
de tantos outros problemas típicos de cidades que cresceram sem um planejamento
adequado, a cidade coleciona essa deficiência no trânsito que beira o caos.
Maceió cresceu
com, até hoje, apenas dois grandes “corredores” de transporte: de um lado, as
Avenidas Fernandes Lima e Durval de Goes Monteiro, que ligam o bairro do Farol
até Polícia Rodoviária Federal, no Tabuleiro dos Martins. Do outro lado da
cidade, a Avenida Menino Marcelo, a chamada Via Expressa – cujo nome hoje perdeu
completamente o seu sentido – que atravessa diversos bairros de Maceió. Ao
longo dessas avenidas, alguns pontos são os mais críticos, onde são frequentes
os engarrafamentos.
GARGALOS
Desde o
Departamento de Polícia Rodoviária, próximo ao Campus da Universidade Federal
de Alagoas, já é possível encontrar o primeiro problema, no fim da tarde, quando
chegar à cidade, vindo do Aeroporto, é a maneira mais aconselhável para receber
um “péssimo cartão de visitas”. Um único semáforo, na rotatória da Polícia, tenta
controlar as duas saídas e as duas entradas principais da parte alta da cidade.
Basta o trânsito aumentar um pouco, como nos dias de feriado, por exemplo, ou
com um fluxo maior de chegada à cidade e estarão formadas longas filas para
quem gostaria de entrar e para quem pretende sair.
A solução, segundo
a maioria dos que dirigem, é a construção de um viaduto no local. Viadutos,
elevados e passagens de nível também podem ser a solução em pontos como no
encontro da Avenida Rotary com a Fernandes Lima e no cruzamento que une a Avenida
Presidente Getúlio Vargas com a Avenida Menino Marcelo e Conjunto José Tenório.
A cidade busca
caminhos e soluções eficazes para os problemas no trânsito, mas como inimigo
tem um legado de décadas de crescimento urbano sem planejamento algum,
tentativas, sem sucesso, das administrações passadas e um longo caminho a
percorrer na esperança de obter sucesso na luta contra o fantasma de um colapso
urbano cada vez mais iminente.
NOVAS RODOVIAS E MUDANÇAS NO TRÂNSITO TENTAM SOLUCIONAR O VELHO
PROBLEMA
Na tentativa
de solucionar estes problemas, as administrações tentam, junto com a
Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito - SMTT, encontrar saídas
de maneira mais emergente para Maceió. Algumas vezes, são anunciadas mudanças nos
sentidos das ruas da capital. Uma das mais recentes e mais radicais aconteceu
no bairro do Poço, onde várias ruas mudaram os sentidos para o fluxo de
veículos, como no caso da Avenida Comendador Leão, que passou a ser mão única
no sentido Jaraguá – Shopping, e também a avenida Cid Scala sofreu a mesma
mudança, só que no sentido Poço – Centro. Além destas, todo um conjunto de ruas
teve seu trajeto alterado para poder diminuir os frequentes engarrafamentos.
Com as
mudanças, até mesmo muitas paradas de ônibus conhecidas mudaram de endereço,
como no caso da que ficava em frente ao SESC Poço, levada para a praça Treze de
Maio. Outras mudanças estão previstas para acontecer a partir de janeiro de
2014, nas ruas dos bairros Farol, Pitanguinha, Pinheiro e Gruta de Lourdes.
FAIXA EXCLUSIVA
Outra medida
que começa a ser implantada em Maceió é a chamada faixa exclusiva para ônibus. Até
aqui, somente cerca de três quadras da Avenida Tomás Espíndola foram
demarcadas. Essa é uma das queixas dos profissionais que lidam dia a dia com os
problemas do trânsito em Maceió.
Damião Antônio
da Silva, 45, é motorista de ônibus há 15 anos, e se considera acostumado com a
Avenida Fernandes Lima: “O problema é que as lotações e outros carros invadem
as ‘mãos’ dos ônibus e atrasa tudo”, diz ele, enquanto se prepara para encarar
mais uma de suas viagens diárias. Damião acrescenta que, com as novas rodovias,
a inclusão de faixas exclusivas podem solucionar os problemas enfrentados pelos
ônibus.
Segundo
Nicollas Albuquerque, da assessoria de comunicação da SMTT, “as faixas
seletivas para ônibus começarão a funcionar a partir do dia 25 de janeiro de
2014 e tem como objetivo dar mais dinamicidade às viagens dos coletivos. Com a
aplicação da faixa, espera-se que a velocidade média do ônibus, que hoje gira
em torno dos 12 km/h, fique na casa dos 25 Km/h” frisou Nicollas.
NOVOS CAMINHOS
Maceió começa
a encontrar novas soluções para a “pane” em seu trânsito. Desde as últimas
administrações municipais, o problema começou a merecer uma atenção maior e as
mudanças começaram a ocorrer. Uma das obras que mais obteve respaldo da
população foi a recém-construída Avenida Pierre Chalita, que liga o bairro de
José Tenório à praia de Jacarecica, desafogando parte do grande enorme fluxo de
veículos da Via Expressa. No entanto, com as chuvas, a obra apresentou um erro
em sua construção: não foram construídos arrimos para a quantidade de terras
que deslizou dos paredões de barro que cercam parte da rodovia. Com as águas, a
avenida teve que ser parcialmente interditada por causa da enorme quantidade de
lama na pista.
A Avenida
Márcio Canuto tenta aliviar o fluxo das Avenidas Rotary e Muniz Falcão, hoje,
com mão única. Atualmente, na junção da Márcio Canuto com a Juca Sampaio está
sendo construída uma passagem de nível, que interligará a Márcio Canuto a uma
nova rodovia, a Josefa de Mello, parcialmente concluída, fruto de uma parceria
público privada. A nova rodovia terá mão dupla e será mais um corredor de
veículos para desafogar o trânsito no Barro Duro. Segundo dados da Secretaria
Municipal de Infra Estrutura e Urbanização – Seminfra, a rodovia terá um
canteiro central, ciclovias em toda a sua extensão e projeto paisagístico.
DUAS RODAS, POUCO ESPAÇO - OS DESAFIOS DA VIDA DOS CICLISTAS NA CAPITAL
Para quem
precisa utilizar a bicicleta com transporte para ir e vir do trabalho, escola
ou mesmo para a prática de exercícios, o que poderia ser uma solução em meio ao
trânsito caótico é ainda mais complicado. Faltam ciclovias. As principais
avenidas de Maceió não possuem ciclovias, tampouco há faixas exclusivas para
ciclistas. Falar sobre isso quando o assunto é Avenida Fernandes Lima soa, para
alguns, como provocação. Os carros se espremem cada vez mais e as motos usam o
perigoso “corredor da morte”, como é chamado por alguns motoristas o pequeno
espaço deixado entre os veículos onde muitos motoqueiros transitam como se
fosse um espaço exclusivo deles.
CICLOVIA TRAVADA
Na Via
Expressa, a tentativa de construir uma ciclovia acabou esbarrando na
desorganização causada pela construção de empresas, condomínios e muros de
terrenos baldios às margens da rodovia. Desapropriar tornou-se a única solução,
mas o processo seria moroso e complicado, além de caro. Resultado: somente
parte da ciclovia foi construída, o projeto ficou pela metade e em alguns
pontos a vegetação já invadiu a ciclovia. Em outros, como na altura do Cambuci
ou próximo ao shopping Pátio, a situação é ainda pior: entradas de ruas e
sedimentação do terreno já levaram parte da ciclovia embora. Os ciclistas
preferem a perigosa divisão de espaço com veículos de grande porte como ônibus
e caminhões.
É comum ver
ciclistas fazendo o perigoso trajeto mesmo
em alguns pontos onde a ciclovia apresenta estado aceitável para pedalar. É
enorme o número de trabalhadores, em especial os da construção civil, que usam
a bicicleta como meio de transporte. Uma das cenas mais comuns em Maceió quando
o assunto é transporte é vê-los, ao raiar do dia ou ao cair da tarde, indo ou
voltando do trabalho.
AMPLIAÇÃO DA MALHA CICLO VIÁRIA
A prefeitura e
suas secretarias tentam conseguir espaço para implantar ciclovias, mas a tarefa
é difícil. Conseguiu-se uma faixa para ciclistas na Avenida Menino Marcelo, no
trecho que vai do posto de gasolina até a Márcio Canuto, mas que vez ou outra é
invadida ou desrespeitada por outros veículos, como motos e até mesmo carros. A
longa extensão da ciclovia da orla possibilita que os ciclistas percorram desde
as praias da Avenida e Sobral até a praia de Cruz das Almas. Com o surgimento
das novas rodovias, a inclusão de ciclovias passou a ser item quase obrigatório.
É o caso das recém-construídas Márcio Canuto e Pierre Chalita, ambas dotadas de
ciclovias em boa parte de sua extensão. Prestes a ser inaugurada, a Avenida
Josefa de Mello também tem ciclovia em todo o seu trajeto. Ainda assim, é comum
encontrar pessoas, como o membro da coordenação da Associação Alagoana de
Ciclismo, Gildo Santana, que reafirma seu amor pela “magrela”: “Moro próximo à concessionária
Mavel, no Farol, e trabalho no Centro. Vou de casa para o trabalho e vice
versa. Pedalo quase todos os dias”.