quarta-feira, 18 de dezembro de 2013


Maceió busca alternativas para fugir do caos no trânsito

Cidade tenta encontrar maneiras de evitar colapso urbano, mas esbarra nos problemas deixados pela falta de planejamento e crescimento desordenado
Cristiano Oliveira

Não é preciso andar muito tempo em qualquer tipo de transporte na capital alagoana para perceber que o trânsito é um de seus principais problemas. Segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, de 2010, a população do município de Maceió beirava 1 milhão de habitantes. Também segundo dados do IBGE, a quantidade de veículos de transporte em Maceió, em 2012, ultrapassava os 248 mil – isso inclui automóveis, ônibus, motocicletas e outros tipos de veículos. Além de tantos outros problemas típicos de cidades que cresceram sem um planejamento adequado, a cidade coleciona essa deficiência no trânsito que beira o caos.
Maceió cresceu com, até hoje, apenas dois grandes “corredores” de transporte: de um lado, as Avenidas Fernandes Lima e Durval de Goes Monteiro, que ligam o bairro do Farol até Polícia Rodoviária Federal, no Tabuleiro dos Martins. Do outro lado da cidade, a Avenida Menino Marcelo, a chamada Via Expressa – cujo nome hoje perdeu completamente o seu sentido – que atravessa diversos bairros de Maceió. Ao longo dessas avenidas, alguns pontos são os mais críticos, onde são frequentes os engarrafamentos.
GARGALOS
Desde o Departamento de Polícia Rodoviária, próximo ao Campus da Universidade Federal de Alagoas, já é possível encontrar o primeiro problema, no fim da tarde, quando chegar à cidade, vindo do Aeroporto, é a maneira mais aconselhável para receber um “péssimo cartão de visitas”. Um único semáforo, na rotatória da Polícia, tenta controlar as duas saídas e as duas entradas principais da parte alta da cidade. Basta o trânsito aumentar um pouco, como nos dias de feriado, por exemplo, ou com um fluxo maior de chegada à cidade e estarão formadas longas filas para quem gostaria de entrar e para quem pretende sair.
A solução, segundo a maioria dos que dirigem, é a construção de um viaduto no local. Viadutos, elevados e passagens de nível também podem ser a solução em pontos como no encontro da Avenida Rotary com a Fernandes Lima e no cruzamento que une a Avenida Presidente Getúlio Vargas com a Avenida Menino Marcelo e Conjunto José Tenório.
A cidade busca caminhos e soluções eficazes para os problemas no trânsito, mas como inimigo tem um legado de décadas de crescimento urbano sem planejamento algum, tentativas, sem sucesso, das administrações passadas e um longo caminho a percorrer na esperança de obter sucesso na luta contra o fantasma de um colapso urbano cada vez mais iminente.


NOVAS RODOVIAS E MUDANÇAS NO TRÂNSITO TENTAM SOLUCIONAR O VELHO PROBLEMA
Na tentativa de solucionar estes problemas, as administrações tentam, junto com a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito - SMTT, encontrar saídas de maneira mais emergente para Maceió. Algumas vezes, são anunciadas mudanças nos sentidos das ruas da capital. Uma das mais recentes e mais radicais aconteceu no bairro do Poço, onde várias ruas mudaram os sentidos para o fluxo de veículos, como no caso da Avenida Comendador Leão, que passou a ser mão única no sentido Jaraguá – Shopping, e também a avenida Cid Scala sofreu a mesma mudança, só que no sentido Poço – Centro. Além destas, todo um conjunto de ruas teve seu trajeto alterado para poder diminuir os frequentes engarrafamentos.  
Com as mudanças, até mesmo muitas paradas de ônibus conhecidas mudaram de endereço, como no caso da que ficava em frente ao SESC Poço, levada para a praça Treze de Maio. Outras mudanças estão previstas para acontecer a partir de janeiro de 2014, nas ruas dos bairros Farol, Pitanguinha, Pinheiro e Gruta de Lourdes.


FAIXA EXCLUSIVA
Outra medida que começa a ser implantada em Maceió é a chamada faixa exclusiva para ônibus. Até aqui, somente cerca de três quadras da Avenida Tomás Espíndola foram demarcadas. Essa é uma das queixas dos profissionais que lidam dia a dia com os problemas do trânsito em Maceió.
Damião Antônio da Silva, 45, é motorista de ônibus há 15 anos, e se considera acostumado com a Avenida Fernandes Lima: “O problema é que as lotações e outros carros invadem as ‘mãos’ dos ônibus e atrasa tudo”, diz ele, enquanto se prepara para encarar mais uma de suas viagens diárias. Damião acrescenta que, com as novas rodovias, a inclusão de faixas exclusivas podem solucionar os problemas enfrentados pelos ônibus.
Segundo Nicollas Albuquerque, da assessoria de comunicação da SMTT, “as faixas seletivas para ônibus começarão a funcionar a partir do dia 25 de janeiro de 2014 e tem como objetivo dar mais dinamicidade às viagens dos coletivos. Com a aplicação da faixa, espera-se que a velocidade média do ônibus, que hoje gira em torno dos 12 km/h, fique na casa dos 25 Km/h” frisou Nicollas.


NOVOS CAMINHOS
Maceió começa a encontrar novas soluções para a “pane” em seu trânsito. Desde as últimas administrações municipais, o problema começou a merecer uma atenção maior e as mudanças começaram a ocorrer. Uma das obras que mais obteve respaldo da população foi a recém-construída Avenida Pierre Chalita, que liga o bairro de José Tenório à praia de Jacarecica, desafogando parte do grande enorme fluxo de veículos da Via Expressa. No entanto, com as chuvas, a obra apresentou um erro em sua construção: não foram construídos arrimos para a quantidade de terras que deslizou dos paredões de barro que cercam parte da rodovia. Com as águas, a avenida teve que ser parcialmente interditada por causa da enorme quantidade de lama na pista.
A Avenida Márcio Canuto tenta aliviar o fluxo das Avenidas Rotary e Muniz Falcão, hoje, com mão única. Atualmente, na junção da Márcio Canuto com a Juca Sampaio está sendo construída uma passagem de nível, que interligará a Márcio Canuto a uma nova rodovia, a Josefa de Mello, parcialmente concluída, fruto de uma parceria público privada. A nova rodovia terá mão dupla e será mais um corredor de veículos para desafogar o trânsito no Barro Duro. Segundo dados da Secretaria Municipal de Infra Estrutura e Urbanização – Seminfra, a rodovia terá um canteiro central, ciclovias em toda a sua extensão e projeto paisagístico.





DUAS RODAS, POUCO ESPAÇO - OS DESAFIOS DA VIDA DOS CICLISTAS NA CAPITAL
Para quem precisa utilizar a bicicleta com transporte para ir e vir do trabalho, escola ou mesmo para a prática de exercícios, o que poderia ser uma solução em meio ao trânsito caótico é ainda mais complicado. Faltam ciclovias. As principais avenidas de Maceió não possuem ciclovias, tampouco há faixas exclusivas para ciclistas. Falar sobre isso quando o assunto é Avenida Fernandes Lima soa, para alguns, como provocação. Os carros se espremem cada vez mais e as motos usam o perigoso “corredor da morte”, como é chamado por alguns motoristas o pequeno espaço deixado entre os veículos onde muitos motoqueiros transitam como se fosse um espaço exclusivo deles.
CICLOVIA TRAVADA
Na Via Expressa, a tentativa de construir uma ciclovia acabou esbarrando na desorganização causada pela construção de empresas, condomínios e muros de terrenos baldios às margens da rodovia. Desapropriar tornou-se a única solução, mas o processo seria moroso e complicado, além de caro. Resultado: somente parte da ciclovia foi construída, o projeto ficou pela metade e em alguns pontos a vegetação já invadiu a ciclovia. Em outros, como na altura do Cambuci ou próximo ao shopping Pátio, a situação é ainda pior: entradas de ruas e sedimentação do terreno já levaram parte da ciclovia embora. Os ciclistas preferem a perigosa divisão de espaço com veículos de grande porte como ônibus e caminhões.
É comum ver ciclistas fazendo o  perigoso trajeto mesmo em alguns pontos onde a ciclovia apresenta estado aceitável para pedalar. É enorme o número de trabalhadores, em especial os da construção civil, que usam a bicicleta como meio de transporte. Uma das cenas mais comuns em Maceió quando o assunto é transporte é vê-los, ao raiar do dia ou ao cair da tarde, indo ou voltando do trabalho.




AMPLIAÇÃO DA MALHA CICLO VIÁRIA
A prefeitura e suas secretarias tentam conseguir espaço para implantar ciclovias, mas a tarefa é difícil. Conseguiu-se uma faixa para ciclistas na Avenida Menino Marcelo, no trecho que vai do posto de gasolina até a Márcio Canuto, mas que vez ou outra é invadida ou desrespeitada por outros veículos, como motos e até mesmo carros. A longa extensão da ciclovia da orla possibilita que os ciclistas percorram desde as praias da Avenida e Sobral até a praia de Cruz das Almas. Com o surgimento das novas rodovias, a inclusão de ciclovias passou a ser item quase obrigatório. É o caso das recém-construídas Márcio Canuto e Pierre Chalita, ambas dotadas de ciclovias em boa parte de sua extensão. Prestes a ser inaugurada, a Avenida Josefa de Mello também tem ciclovia em todo o seu trajeto. Ainda assim, é comum encontrar pessoas, como o membro da coordenação da Associação Alagoana de Ciclismo, Gildo Santana, que reafirma seu amor pela “magrela”: “Moro próximo à concessionária Mavel, no Farol, e trabalho no Centro. Vou de casa para o trabalho e vice versa. Pedalo quase todos os dias”.